sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Romaria da Terra e a questão das águas


ROMARIA DA TERRA CHAMA PARA DISCUSSÃO DA QUESTÃO DAS ÁGUAS

O grito de socorro que saiu do Rio dos Sinos, tão covardemente atingido pelo crime ambiental ocorrido há dois anos, motivou a Igreja do RS a sediar a 32ª Romaria da Terra, com o tema “Água: sangue da Terra”, na próxima terça-feira de Carnaval, dia 24 de fevereiro de 2009.

Os organizadores do evento, a Comissão Pastoral da Terra – CPT/RS, o Vicariato Episcopal de Canoas e a CNBB Sul 3 preveem a participação de mais de 15 mil romeiros e romeiras. O local escolhido é às margens do Rio dos Sinos, no Parque Pesqueiro, em Sapucaia do Sul, local onde foram encontrados mortos mais de cem mil toneladas de peixes, em outubro de 2006.

Além da reflexão sobre a questão das águas, a romaria será palco de denúncia sobre a criminalização dos movimentos sociais e o fechamento das escolas etinerantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

A programação prevê a partir das 7h a recepção e acolhida dos romeiros na Igreja Sagrada Família, bairro Colonial. Às 08h30min haverá as falas das autoridades locais e Dom Dadeus Grings da Arquidiocese de Porto Alegre fará a abertura. Após a encenação da criação do mundo, às 9h inicia a caminhada de 2 km até o Pesqueiro, no Bairro Carioca. Durante o trajeto haverá quatro cenários, trazendo presente a questão do meio ambiente. Após a chegada ao local continuará a celebração com a pregação de Dom José Mário Stroeher com a reflexão do tema. O almoço será partilhado entre os participantes. Às 13 h na continuidade, é o espaço para o momento de caráter cultural com apresentações musicais de vários artistas e de falas de autoridades, dos Movimentos Populares e Entidades. Às 15h30min será o espaço para a Benção do Envio e o encerramento às 16 h.

Os movimentos populares e entidades terão espaço para divulgação e exposição de seus materiais.

A Romaria da Terra no Rio Grande do Sul, com sua tradição histórica, é o lugar e o tempo por excelência, de denúncia dos desmandos por que passam os empobrecidos do campo e da cidade, quando criminalizados e tão esquecidos em seus direitos na busca de uma nova vida, mas, é também lugar para ouvir os “Sinos” soarem pelo anúncio da celebração de fé e de esperança dos cristãos desta Terra.

Telefones para contato: (51) 98756345 – Terezinha Ruzzarin

(51) 99911668 – Wilson Dallagnol

Porto Alegre, 18 de fevereiro de 2009.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Rede franciscana de Justiça, Paz e Ecologia

CURSO DE FRANCISCANISMO QUER UMA “REDE FRANCISACANA DE JUSTIÇA, PAZ E ECOLOGIA”.

Participantes do curso de Franciscanismo, ocorrido em Daltro Filho, entre os dias 5 a 18 de janeiro, propõem uma “Rede franciscana de Justiça, Paz e Ecologia”, como um espaço de partilhas de experiências, troca de ideias, publicações, debates e articulação para atividades conjuntas; um meio para que as províncias, congregações, instituições da Família Franciscana possam somar forças com a Igreja e a Sociedade na defesa e promoção da Vida.

Vinte irmãos e irmãs participaram do Curso de Franciscanismo, promovido pela Família Franciscana – FFB – do Rio Grande do Sul, no Convento São Boaventura, em Daltro Filho, Imigrante, RS, entre os dias 05 a 19 de janeiro de 2009. A primeira parte do Curso teve como tema “Os escritos e a espiritualidade de São Francisco de Assis”, que foi desenvolvido com a assessoria de Dom Frei Irineu Gassen, Bispo diocesano de Vacaria, e de Frei João Inácio Müller, Ministro provincial dos Frades Menores do RS. A segunda parte, com a temática do “Serviço de Justiça , Paz e Integridade da Criação (Ecologia)”, foi assessorada por Irmã Zioldé Caldas, Vice-Provincial das Irmãs Franciscanas Bernardinas, e por Frei Pilato Pereira, da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

Após duas semanas de estudos e reflexões, os participantes manifestaram a preocupação com a pratica concreta das questões abordadas ao longo do curso. Visto que as fontes franciscanas apresentam um modo de vida segundo o Evangelho de Jesus Cristo, que se sintetiza na promoção da vida e dignidade humana. E, diante dos inúmeros e emergentes desafios sócio-ambientais dos dias de hoje, os participantes do curso querem estar cada vez mais comprometidos com ações em defesa da vida. E analisam a importância de somar forças com pessoas e instituições que lutam pelos mesmos objetivos. Também compreendem que a comunhão e colaboração deve começar entre a Família Franciscana, que deve dar testemunho de vida fraterna na missão junto à Igreja e a sociedade.

Resultou das reflexões do grupo a proposta de criar uma “Rede Franciscana de Justiça, Paz e Ecologia”. E para efetivar a ideia, foi enviada uma carta para a Coordenação da Família Franciscana do Rio Grande do Sul – FFB/RS – e aos demais regionais e para a Coordenação Nacional da FFB.

Na carta, os participantes do curso reconhecem que “a questão ambiental, hoje, está no centro das atenções e cresce cada vez mais a consciência de que os clamores da vida na Terra e a vida da Terra estão em consonância. De um modo geral, compreendemos a existência de uma crise ecológica, sabemos parte de sua gravidade e nos sentimos em alerta e até meio alarmados. Porém, falta sintonia entre a urgência de mudanças e nossa tomada de decisões e atitudes concretas, seja no nível individual e/ou coletivo”.

E, diante da atual conjuntura sócio-ambiental, os participantes do curso de Franciscanismo, propõem que, como franciscanos e franciscanas, sentem-se impelidos a dar uma contribuição concreta, criando uma “Rede Franciscana de Justiça, Paz e Ecologia”. A proposta é de que esta rede seja um espaço de partilhas de experiências, troca de ideias, publicações, debates e articulação para atividades conjuntas. Com este instrumento de comunicação e articulação, o grupo espera que os franciscanos e franciscanas possam “somar forças entre as províncias, congregações, instituições da Família Franciscana, com a Igreja, a Sociedade Civil e órgãos governamentais”.

domingo, 4 de janeiro de 2009

"Fábula da solidariedade ecológica"

Fábula utilizada por Betinho como metáfora de solidariedade

Diz a lenda que havia uma imensa floresta onde viviam milhares de animais, aves e insetos. Certo dia uma enorme coluna de fumaça foi avistada ao longe e, em pouco tempo, embaladas pelo vento, as chamas já eram visíveis por uma das copas das árvores. Os animais assustados, diante da terrível ameaça de morrerem queimados, fugiam o mais rápido que podiam, exceto um pequeno beija-flor. Este passava zunindo como uma flecha indo veloz em direção ao foco do incêndio e dava um vôo quase rasante por uma das labaredas, em seguida voltava ligeiro em direção a um pequeno lago que ficava no centro da floresta. Incansável em sua tarefa e bastante ligeiro, ele chamou a atenção de um elefante, que com suas orelhas imensas ouviu suas idas e vindas pelo caminho, e curioso para saber porquê o pequenino não procurava também afastar-se do perigo como todos os outros animais, pediu-lhe gentilmente que o escutasse, ao que ele prontamente atendeu, pairando no ar a pequena distância do gigantesco curioso.

– Meu amiguinho, notei que tem voado várias vezes ao local do incêndio, não percebe o perigo que está correndo? Se retardar a sua fuga talvez não haja mais tempo de salvar a si próprio! O que você está fazendo de tão importante?

– Tem razão senhor elefante, há mesmo um grande perigo em meio aquelas chamas, mas acredito que se eu conseguir levar um pouco de água em cada vôo que fizer do lago até lá, estarei fazendo a minha parte para evitar que nossa mãe floresta seja destruída.

Em menos de um segundo o enorme animal marchou rapidamente atrás do beija-flor e, com sua vigorosa capacidade, acrescentou centenas de litros d’água às pequenas gotinhas que ele lançava sobre as chamas.

Notando o esforço dos dois, em meio ao vapor que subia vitorioso dentre alguns troncos carbonizados, outros animais lançaram-se ao lago formando um imenso exército de combate ao fogo.

Quando a noite chegou, os animais da floresta exaustos pela dura batalha e um pouco chamuscados pelas brasas e chamas que lhes fustigaram, sentaram-se sobre a relva que duramente protegeram e contemplaram um luar como nunca antes haviam notado.

Extraído do Blog "Olhar Ecológico" www.olharecologico.bogspot.com

Eduardo Galeano - Mundo al Revés