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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Se Quiseres Cultivar a Paz, Preserva a Criação" (síntese parte 3)


Conversando com o Povo de Deus (469)
por Dom Irineu Wilges, Bispo referencial da Pastoral da Ecologia da CNBB Sul 3
Continuando a síntese por artigos da Mensagem do Papa Bento XVI: "Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação" (continuação 3)


Continuando a síntese do Papa Bento XVI por artigos - 10. Para uma gestão globalmente sustentável do ambiente e dos recursos da terra, é necessário uma “nova solidariedade”, uma “solidariedade global”. Isso se torna evidente entre a forte luta contra a degradação ambiental e a promoção humana integral. É preciso encorajar a ciência a fornecer soluções satisfatórias, entre elas está à pesquisa da grande potencialidade da energia solar. Encorajá-la a desenvolver a pesquisa também sobre a questão da água. É preciso procurar estratégias de desenvolvimento rural, centrado nos pequenos cultivadores; a elaborar políticas idôneas para a gestão das florestas e o tratamento do lixo. É necessário sair da lógica do consumo para promover formas de produção que respeitem a criação e satisfaçam as necessidades de todos.


A questão ecológica deve ser enfrentada não apenas por causa das pavorosas conseqüências, mas deve ser principalmente inspirada pelos valores da caridade, da justiça e do bem comum. A técnica nunca é simplesmente técnica, assim ela se deve inserir no mandato de cultivar e guardar a terra.


11. Diante da degradação ambiental torna-se indispensável uma real mudança de mentalidade, que induz a novos estilos de vida, nos quais o verdadeiro, o belo e o bom, a comunhão com os outros determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento. Deve-se educar para a paz a partir desta opção. Todos somos responsáveis pela produção e o cuidado da criação. É preciso que cada um se comprometa a não permitir que se imponham os interesses particulares. É preciso que a sociedade civil e as ONGs se empenham nesta sensibilização, de maneira especial a mídia, que deve propor modelos positivos. É necessário uma visão global, que deixando de lado a visão local, nacional, abraça a todos os povos. Neste contexto, alargado, é desejável que se apóie o esforço pelo desarmamento e um mundo sem armas atômicas.


12. A Igreja tem a sua parte de responsabilidade pela criação por isso sentem-se na obrigação de defender a terra, a água e o ar, dádivas do criador para todos e antes de tudo para o ser humano.Não se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente se não são ajudados a respeitar a si mesmos. O livro da natureza é único: ambiente e a ética. Encorajo por isso a educação para salvaguarda de uma autêntica “ecologia humana”, que afirma a inviolabilidade da família, onde se educa para o amor ao próximo e à natureza.


13. Não se pode esquecer o fato de que muitos sentem tranqüilidade e paz no contato com a beleza e a harmonia da natureza. Quando cuidamos da criação, Deus através dela cuida de nós. Uma visão correta impede absolutizá-la ou de considerá-la mais importante que a pessoa humana. A Igreja exprime perplexidade diante da concepção ecocentrista e biocentrista, que elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os outros seres vivos. A Igreja convida ao equilíbrio: o homem tem o papel de guarda e administrador da criação, sem abusar nem abdicar do mesmo. A posição contrária acaba num grave atentado à natureza e à dignidade humana.


14. “Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação”. A busca da paz será facilitada pelo reconhecimento da relação indivisível entre Deus, os seres humanos e a criação inteira. Os Cristãos prestam a sua contribuição considerando o cosmos à luz da obra de Deus Pai e redentora de Cristo, que pela morte e ressurreição reconciliou com Deus todas as criaturas. Este concedeu à humanidade o dom de seu Espírito, que guia o caminho da história à espera do regresso glorioso de Cristo, inaugurando novos céus e nova terra, onde habitará a justiça e a paz para sempre. Assim proteger o ambiente e construir a paz é uma oportunidade de entregar às novas gerações um mundo melhor. Que os dirigentes das nações sejam cientes que a criação e a paz estão interligadas. “Por isso, convido a todos os crentes que elevem a sua oração a Deus, que seja acolhido e vivido o premente apelo: “Se quiseres cultivar a paz, preserva criação”. Mensagem do Papa Bento XVI para o dia internacional da paz e da fraternidade universal, dia 1º de janeiro de 2010, dado no Vaticano, dia 08/12/2009.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Papa pede que cristãos sejam testemunhas da preservação ambiental

"Os cristãos são chamados a unir-se no oferecer ao mundo um testemunho crível da responsabilidade pela salvaguarda da Criação"


Cidade do Vaticano, 22 out (RV) - Bento XVI enviou uma mensagem ao patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, para a abertura, nesta quarta-feira, em Nova Orleans, Louisiana, EUA, do Simpósio de Religião, Ciência e Ambiente, que tem como tema "Restabelecer o equilíbrio: o grande rio Mississipi".

Na mensagem, o papa faz um apelo aos cristãos a fim de que ofereçam ao mundo um testemunho crível da responsabilidade pela salvaguarda da Criação e recorda o furacão Katrina, que em 2005 atingiu a referida localidade estadunidense.

As palavras do Santo Padre foram lidas pelo arcebispo de Nova Orleans, Dom Gregory Michael Aymond.

"Os cristãos são chamados a unir-se no oferecer ao mundo um testemunho crível da responsabilidade pela salvaguarda da Criação e a colaborar de todos os modos possíveis para assegurar que a nossa terra possa conservar intacto aquilo que Deus lhe deu: grandeza, beleza e generosidade."

Com essas palavras, Bento XVI quis saudar o patriarca Bartolomeu I e os 150 participantes do VIII Simpósio de Religião, Ciência e Ambiente dedicado ao Mississipi.

"A solução das crises ecológicas do nosso tempo requer necessariamente uma profunda mudança por parte de nossos contemporâneos": a esse propósito, o pontífice se diz "plenamente de acordo" com o patriarca Bartolomeu I sobre o fato que "os problemas urgentes que concernem ao cuidado e proteção do ambiente", contemplando importantes questões políticas, econômicas, técnicas e científicas, são, todavia, "essencialmente de natureza ética".

Citando a Caritas in veritate, o Santo Padre recorda que a natureza "é uma prioridade para todos" e, como fundamento da nossa vida, deve ser usada "responsavelmente" e "com respeito".

O papa ressalta ainda que um conhecimento "puramente econômico e tecnológico" do progresso inevitavelmente provocará "conseqüências negativas" para indivíduos, povos e para a própria criação. Um autêntico desenvolvimento humano chama a uma justiça entre gerações e à solidariedade com os homens e as mulheres do futuro, que têm também eles o direito de gozar dos bens que a criação oferece a todos com abundância, como querido por Deus – ressalta Bento XVI.

O pontífice prossegue a sua mensagem frisando que esse simpósio sobre o Mississipi nos recorda o ocorrido em Nova Orleans e nas adjacências, em 29 de agosto de 2005 com a passagem devastadora do furacão Katrina: "meus pensamentos e minhas orações se voltam para todos aqueles, especialmente os pobres, que experimentaram sofrimento, privação e deslocamentos, e para todos que se empenharam no paciente trabalho de reconstrução e renovação" – escreve o Santo Padre.

Na linha da observação do pontífice, segundo o qual "hoje os grandes sistemas fluviais de todos os continentes estão expostos a sérias ameaças, muitas vezes como resultado de atividades e decisões do homem", o patriarca Bartolomeu I ressaltou, em seu discurso, que "todos nós temos o nosso papel a desempenhar, a nossa sagrada responsabilidade" pelo amanhã. Porque – concluiu o patriarca ecumênico de Constantinopla – "toda decisão, pessoal e coletiva, determina o futuro do planeta". (RL)

Fonte: Rádio Vaticano

Eduardo Galeano - Mundo al Revés